Aluguel de servidor dedicado: quando vale a pena e como ler um plano
Um servidor dedicado é uma máquina física inteira que o provedor entrega a um único cliente. Processador, memória, discos e porta de rede não são compartilhados com vizinhos, e você tem acesso total ao hardware: pode instalar qualquer sistema operacional ou hypervisor, ou montar o seu próprio RAID. A tabela acima reúne planos com o modelo exato de CPU, número de núcleos, memória, discos e velocidade da porta, para comparar diretamente configurações de provedores diferentes.
Quando um servidor dedicado supera um VPS
Um servidor virtual é mais barato e flexível, mas tem um teto: os recursos do host físico são divididos entre clientes, e quando os vizinhos estão sob carga, o seu servidor também fica mais lento. Alugar um servidor dedicado compensa em alguns casos.
- Carga alta e constante. Se o processador trabalha acima de metade da capacidade 24 horas por dia, um VPS grande costuma custar quase o mesmo que uma máquina física, e ela tem desempenho mais estável.
- Bancos de dados e muito trabalho em disco. Um PostgreSQL, MySQL ou ClickHouse grande é limitado pela latência do disco, e um NVMe local sem camada de virtualização oferece tempos de resposta previsíveis. Os planos para essa tarefa estão na página VPS para banco de dados.
- Licenças por CPU física. Parte do software de servidor é licenciada por soquete ou por núcleo físico, e em hardware próprio é mais simples e muitas vezes mais barato contá-los.
- Isolamento e conformidade. Quando a equipe de segurança ou um auditor exige que os dados não fiquem num hypervisor compartilhado, um servidor dedicado resolve a questão. Com o GDPR e a LGPD, também fica mais fácil documentar onde os dados pessoais estão guardados e quem tem acesso ao hardware.
Processador, memória e discos
O modelo de CPU importa mais do que o número de núcleos. Xeon E3 e E5 antigos aparecem nas ofertas mais baratas: o E5 tem muitos núcleos, mas a frequência e o desempenho por núcleo ficam bem abaixo dos chips atuais. O AMD EPYC foi feito para cargas multithread e grandes volumes de memória, enquanto o Ryzen oferece frequências altas e serve para servidores de jogos e tarefas de uma só thread. Dá para compará-los nas páginas VPS com AMD EPYC e VPS com Ryzen; configurações para jogos estão na página servidor de jogos.
Veja se o plano indica núcleos ou threads: oito núcleos com Hyper-Threading dão dezesseis threads, mas não dobram o desempenho. Um servidor que guarda dados precisa de memória ECC, que corrige erros de um bit que em memória comum corrompem arquivos e bancos de dados sem aviso. O Ryzen em planos baratos muitas vezes vem sem ECC, vale perguntar.
"2×1 TB NVMe" significa dois discos separados, não um de 2 TB. Num espelho RAID 1 fica 1 TB utilizável, mas a falha de um disco não para o servidor. O NVMe é várias vezes mais rápido que um SSD SATA em operações aleatórias, enquanto o HDD continua sendo uma opção para backups e arquivos em que a capacidade é o que importa.
Rede, tráfego e condições escondidas
- Velocidade da porta e banda garantida. Uma porta de 1 Gbps nem sempre significa um gigabit o tempo todo: alguns provedores garantem menos e entregam o resto conforme a disponibilidade.
- Limites de tráfego. Tráfego ilimitado numa porta de 100 Mbps e 20 TB numa porta gigabit são condições diferentes. Verifique o que acontece ao ultrapassar o limite: cobrança por terabyte ou redução de velocidade.
- Endereços IP extras costumam ser cobrados à parte, e para uma sub-rede às vezes é pedida uma justificativa.
- Taxa de instalação. Alguns provedores cobram um valor único para preparar o servidor, principalmente no pagamento mensal. Compare o total do primeiro ano, não só o preço mensal.
- Prazo de entrega. Configurações prontas são entregues em poucas horas; montagens sob encomenda levam de um a vários dias.
- KVM ou IPMI. Um console remoto permite reinstalar o sistema e corrigir problemas de boot sem falar com o suporte. Sem ele, qualquer erro na configuração de rede vira um ticket.
- Troca de hardware. Pergunte em quantas horas um disco ou uma fonte com defeito é substituído e se isso está incluído no preço.
Aluguel ou colocation
No colocation você compra o servidor e paga ao data center pelo espaço no rack, energia e conectividade. Compensa num horizonte de vários anos e com hardware fora do padrão, mas reparos, peças e transporte ficam por sua conta. O aluguel elimina essas questões: o hardware pertence ao provedor, que é responsável pela troca de componentes. Para um ou dois servidores, alugar quase sempre é mais simples.
Localização e pagamento
Coloque o servidor perto dos seus usuários. Dentro da Europa, Alemanha e Países Baixos alcançam a maioria das capitais em 10–30 ms; entre a costa leste dos EUA e a Europa Ocidental são cerca de 80 ms, e a Ásia acrescenta 150–250 ms de qualquer um dos lados. Para quem atende o Brasil, servidores nos EUA costumam ficar mais perto do que os europeus. Essa diferença é sentida em jogos e serviços interativos, mas não importa para backups e processamento em lote. Antes de alugar, peça ao provedor um IP de teste e meça a latência e a velocidade de download do seu lado. Se uma parte de uma máquina basta, compare configurações no catálogo de VPS, e para um site simples sem administrar servidor veja a hospedagem compartilhada. Os métodos de pagamento dependem do provedor: a maioria aceita cartões, muitos aceitam PayPal, empresas geralmente podem pagar por fatura e alguns também aceitam criptomoedas. A coluna "Pagamento" na tabela mostra os métodos de cada plano.