O que dá para ter numa hospedagem de até R$ 9
Hospedagem barata não é, necessariamente, hospedagem ruim. Abaixo de cerca de R$ 9 por mês ficam uns 850 planos de quase 500 provedores; os mais baratos saem por volta de R$ 2, e a mediana fica em torno de R$ 5,50. Só que, por esse valor, o provedor vende um conjunto de recursos bem definido, e é importante saber de antemão o que está incluído e o que vai ser preciso comprar à parte.
Os parâmetros reais dos planos econômicos
O disco mediano nesta seleção é de 3 GB, contra 20 GB no catálogo inteiro. Os planos mais baratos oferecem só 250–500 MB. O mais comum é permitir um site; menos frequentemente, dois ou três, ou cinco. Cerca de um terço dos planos tem disco NVMe e quase metade tem tráfego ilimitado, ou seja, nesses quesitos os planos baratos pouco diferem dos caros. A economia está em outros pontos:
- Limites de processador e memória. Os planos de entrada costumam ter a menor fatia de CPU e o menor número de processos PHP simultâneos. O site anda rápido enquanto tem poucos visitantes, mas no horário de pico pode começar a devolver erro 508 ou 503.
- Número de bancos de dados e contas de e-mail. Um banco e uma ou duas caixas de e-mail é o pacote típico.
- Backup. Nos planos econômicos, as cópias são feitas com menos frequência, ficam guardadas por menos dias ou só podem ser restauradas mediante pagamento.
- Suporte. A resposta pode levar horas em vez de minutos, e as questões mais complexas são empurradas para um plano superior.
Custos escondidos
O total do ano quase sempre fica acima de «preço mensal × 12». Antes de pagar, confira alguns pontos.
- Preço de renovação. Muitos planos só custam uns R$ 2–3,50 no primeiro período e apenas com pagamento antecipado de um ano ou mais. Na renovação o preço pode dobrar ou triplicar, e o plano «barato» acaba saindo mais caro que um intermediário.
- Domínio. O domínio grátis de brinde normalmente vale só no primeiro ano; depois é renovado pela tabela do registrador do provedor, que às vezes fica acima do mercado. Em alguns casos compensa registrar o domínio separadamente.
- SSL. Um provedor decente emite o certificado Let's Encrypt de graça. Se não houver SSL gratuito, some ao preço o custo de um certificado pago ou procure logo outro plano.
- Backups e restauração. Restaurar uma cópia via chamado no suporte às vezes custa mais que a mensalidade do plano.
- Limites de e-mail. Um teto de envios por hora pode atrapalhar até as notificações de uma loja virtual. E-mail externo para o domínio é um gasto à parte.
- Moeda e taxas. Os preços de provedores estrangeiros são convertidos pelo câmbio, e no pagamento podem entrar impostos (como o IOF no cartão internacional) e taxas do meio de pagamento.
Quando um plano barato basta
- Landing page ou página promocional. HTML estático ou um construtor leve quase não pesam no servidor, e 1 GB de disco sobra.
- Site institucional de uma empresa ou de um profissional. Algumas páginas, um formulário de contato, dezenas de visitantes por dia.
- Blog pessoal. Um WordPress com plugin de cache roda tranquilo no plano de entrada enquanto as visitas diárias não chegam aos milhares.
- Ambiente de testes ou projeto de estudo que você não se importa de perder.
Quando não vale a pena economizar
- Loja virtual. Carrinho, área do cliente e filtros do catálogo não ficam totalmente em cache, e os limites de CPU logo aparecem. Para uma loja, considere planos mais robustos ou um VPS para loja virtual.
- Site com tráfego pago. Se você paga por clique, o site cair no horário de pico custa mais do que a diferença de preço da hospedagem.
- Vários sites. Cinco planos de R$ 3 costumam ser piores que um único plano para 10 sites; veja a seleção hospedagem para 10 sites.
- Site com dados pessoais de clientes. Cadastro, pedidos e pagamentos pedem um provedor com backups confiáveis, contrato claro e, se possível, servidores em um país compatível com a LGPD. Economizar alguns reais aqui não compensa o risco.
Onde procurar planos baratos
A maior parte dos planos baratos é de provedores com servidores nos EUA, na Alemanha e no Reino Unido, seguidos de Singapura, Rússia, Holanda e Turquia. Muitas das ofertas mais baratas da tabela vêm de pequenas empresas regionais do Irã, de Bangladesh, da Turquia e de outros países, focadas no mercado local. Isso não quer dizer que sejam ruins, mas o suporte pode atender só no idioma local e o pagamento pode aceitar apenas meios locais. Para um site com público brasileiro, costuma ser mais sensato escolher um plano barato de um provedor com servidores no Brasil ou nos EUA: latência menor, suporte em português e cobrança sem surpresas de câmbio.
Nos painéis, o quadro é o mesmo do mercado em geral: o cPanel lidera, seguido de Plesk, DirectAdmin e ISPmanager. Nos planos baratos, o painel pesa mais no conforto do que nas funcionalidades, então escolha aquele com que você já trabalhou.
Uma abordagem prática é separar dois ou três planos da tabela, conferir o preço de renovação e as condições de backup e, se o provedor oferecer período de teste, subir primeiro uma cópia do site nele. Os provedores com teste grátis estão reunidos na página hospedagem com período de teste.