VPS no Brasil: servidor perto do seu público na América Latina
O Brasil é o maior mercado de internet da América do Sul e o principal polo de hospedagem da região. Aqui o servidor não é contratado por ser barato, e sim por um motivo: ficar perto dos usuários no Brasil e nos países vizinhos. Se o seu público está na Europa, um VDS em Portugal, na Espanha ou na Alemanha costuma ser a melhor escolha; se está no Brasil, um servidor no exterior faz cada página perder de 100 a 200 milissegundos.
São Paulo e a rede da região
A maior parte dos data centers brasileiros fica em São Paulo e na região metropolitana. Lá funciona o nó do IX.br, um dos maiores pontos de troca de tráfego do mundo em pico de carga, ao qual estão conectadas milhares de operadoras locais. Isso importa: a internet brasileira é muito fragmentada, além das grandes teles há uma infinidade de pequenos provedores regionais, e um bom peering em São Paulo garante um caminho curto até a maioria deles. Os planos na cidade estão reunidos na página VPS em São Paulo.
A ligação com outros continentes é feita por cabos submarinos, a maioria deles chegando a Fortaleza, no Nordeste. De lá há linhas diretas para os EUA e, mais recentemente, para Portugal, sem passar pela América do Norte. Buenos Aires e Santiago ficam bem mais perto de São Paulo do que de Miami, embora parte considerável do tráfego entre os países da região ainda passe pelos EUA. Se o projeto cobre toda a América do Sul, compare as opções na página VPS na América Latina.
Latência: dentro do Brasil e a partir de Portugal
Dentro do país, um servidor em São Paulo responde ao Sudeste e ao Sul em poucos milissegundos, e ao Norte e ao Nordeste normalmente em algumas dezenas. De Lisboa até São Paulo a latência fica em torno de 100–130 ms pelo cabo direto até Fortaleza, e mais alta quando a rota passa pelos EUA. Para quem está em Portugal e atende o mercado brasileiro, essa distância é aceitável para administrar o servidor, mas não para hospedar o site longe dos clientes. Um servidor no Brasil se justifica quando:
- o público está no Brasil: loja virtual, mídia ou SaaS em português. A partir da Europa, cada carregamento de página perde até duas centenas de milissegundos;
- é um servidor de jogos para jogadores brasileiros: eles são sensíveis ao ping e abandonam em massa servidores na Europa e nos EUA. Para essa tarefa, veja também VPS para servidor de jogos;
- você precisa de um IP brasileiro para verificar anúncios, resultados de busca regionais, preços locais e o funcionamento de serviços daqui;
- há integrações com meios de pagamento brasileiros, como PIX e gateways locais, e com APIs que respondem mais rápido dentro do país.
Se o público está espalhado pelas duas Américas, Miami pode ser um meio-termo: fica mais perto da América do Norte e da Central, mas mais longe do próprio Brasil do que São Paulo.
LGPD, Marco Civil e regras locais
No Brasil vale a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), muito parecida com o RGPD europeu, com uma autoridade própria de fiscalização, a ANPD. Ela se aplica se você trata dados de pessoas que estão no Brasil, não importa onde fica o servidor; a lei não exige guardar os dados dentro do país, mas regula a transferência internacional. A segunda lei importante é o Marco Civil da Internet: ele obriga provedores de conexão e aplicações comerciais a guardar registros de conexão e de acesso por um prazo definido e a entregá-los mediante ordem judicial. Os tribunais brasileiros são conhecidos por medidas duras: em diferentes anos, por decisão judicial, grandes mensageiros e redes sociais foram bloqueados no país inteiro. Para empresas em Portugal, um servidor no Brasil com dados de europeus exige atenção ao RGPD, já que o Brasil ainda não tem decisão de adequação plena da União Europeia.
O que verificar antes de contratar
- A localização real. A seleção traz muitos planos de provedores internacionais em que o Brasil é um entre dezenas de países. Ao contratar, confirme que o data center brasileiro está selecionado, e não um nó padrão nos EUA ou na Europa.
- A latência até os seus usuários. Use o looking glass do provedor e teste a latência até as grandes operadoras brasileiras, os provedores regionais e os países vizinhos.
- Proteção contra DDoS, sobretudo para servidor de jogos: na região, ataques a projetos de jogos são frequentes, e uma filtragem básica vale mais do que um gigabyte extra de memória.
- Horário e idioma do suporte. Provedores locais atendem em português e no horário de Brasília; os internacionais costumam atender em inglês, às vezes com fuso bem diferente.
Preços, tráfego e pagamento
Um servidor no Brasil costuma ser mais caro que um europeu com os mesmos recursos: pesam os altos impostos de importação sobre o hardware e o custo da energia. Nos planos de nuvem, confira à parte o preço do tráfego de saída: em São Paulo ele costuma ser mais alto que na Europa ou nos EUA e, se você distribui arquivos, pode superar o custo do próprio servidor. Muitos planos de nuvem têm cobrança por hora, o que é prático para testes.
Os provedores locais trabalham para o mercado interno: site em português, preços em reais, pagamento por PIX, boleto ou cartão nacional, muitas vezes com nota fiscal. No cadastro, costumam pedir CPF ou CNPJ. Os provedores internacionais com localização no Brasil são mais simples, mas cobram em dólar, com IOF e câmbio do cartão; quase todos aceitam cartão internacional e PayPal, e muitos aceitam criptomoedas: a seleção geral está em VPS com pagamento em criptomoeda. A coluna «Pagamento» da tabela acima mostra as formas aceitas em cada plano.