Tráfego ilimitado na hospedagem compartilhada: o que acaba primeiro
Na hospedagem compartilhada, o «tráfego ilimitado» já virou padrão, e não diferencial. Esta seleção reúne cerca de 3.500 planos de quase 900 provedores, e nenhum deles limita o volume de dados transferidos. O preço mediano fica em torno de R$ 35 por mês, e as opções mais baratas começam em R$ 2–2,40. Por isso, escolher um plano pela linha «tráfego: ilimitado» não faz sentido: o importante é entender qual recurso o seu site vai esgotar primeiro.
Por que o tráfego quase nunca é o gargalo
Uma página comum de um site com CMS pesa de 1 a 3 MB com as imagens, e boa parte dos arquivos fica no cache do navegador. Mesmo 3.000 visitantes por dia, cada um abrindo cinco páginas, geram algo como 30–50 GB por mês. Para o provedor, isso é pouco: o link do servidor é dimensionado para centenas de contas ao mesmo tempo. Muito antes de o tráfego fazer diferença, o site vai esbarrar no processador, na memória ou no número de processos simultâneos.
Para o provedor, transferir dados é barato, e processamento é caro. É exatamente por isso que o tráfego é distribuído com generosidade, enquanto as limitações reais ficam escondidas em outros parâmetros do plano.
O que se esconde atrás da palavra «ilimitado»
A maioria dos provedores isola as contas com o CloudLinux e seu mecanismo LVE. Cada cliente recebe uma «caixa» com limites rígidos:
- CPU: uma fração de núcleo, normalmente de 25% até um ou dois núcleos. Quando o limite é ultrapassado, os processos ficam mais lentos, e as páginas passam a levar vários segundos para abrir.
- Memória (PMEM): de 512 MB a alguns gigabytes para a conta inteira. Quando ela acaba, os processos PHP caem, e os visitantes veem o erro 503 ou 508.
- Processos (EP e NPROC): o número de entradas simultâneas no PHP. Um limite de 20 processos significa que a vigésima primeira requisição simultânea recebe erro, por mais tráfego «ilimitado» que haja.
- IOPS e velocidade de disco: o limite de operações de entrada e saída. Consultas pesadas ao banco e catálogos grandes sem índices esbarram justamente aqui.
- Inodes: o número máximo de arquivos. Plugins de cache, miniaturas e caixas de e-mail consomem o limite com o tempo, e o site deixa de conseguir salvar arquivos novos.
Além dos limites técnicos, o contrato quase sempre tem uma cláusula de «uso justo». Ela permite ao provedor pedir que você mude para um plano superior ou para um VPS se a conta estiver sobrecarregando o servidor compartilhado. Formalmente o tráfego não tem limite, mas ninguém vai deixar você distribuir um acervo de arquivos a partir da hospedagem.
Quando o volume de tráfego importa de verdade
Há cenários em que a largura de banda realmente faz diferença:
- Vídeo e áudio publicados direto na hospedagem, e não numa plataforma de vídeo. Um único vídeo em boa qualidade pesa centenas de megabytes.
- Arquivos para download: instaladores de programas, tabelas de preços em PDF, pacotes de modelos 3D, mods para jogos.
- Galerias de fotos e portfólios com imagens originais sem compressão.
- Picos repentinos depois de uma publicação num grande canal do Telegram ou de aparecer em recomendações.
Mesmo nesses casos, o que quebra primeiro não é o tráfego, e sim o limite de processos: centenas de downloads simultâneos mantêm conexões abertas, e os novos visitantes não conseguem esperar a resposta. Por isso, faz mais sentido servir arquivos grandes de fora da hospedagem compartilhada.
CDN e armazenamento externo em vez de um link «gordo»
Se o site serve muitos arquivos estáticos, use uma CDN. A rede de distribuição guarda imagens, estilos e scripts em cache nos próprios servidores, mais perto do visitante, e só as requisições de HTML chegam à hospedagem. A carga sobre a conta cai várias vezes, e as páginas abrem mais rápido para visitantes de outros países. Muitas CDNs têm plano gratuito suficiente para um site pequeno.
Vídeos ficam melhor em plataformas de vídeo, incorporados com o player, e arquivos grandes, num armazenamento de objetos S3, servidos por link direto. Assim a hospedagem atende só o site em si, e os limites do LVE deixam de ser problema.
Como saber se o site esbarrou nos limites
Os sinais são quase sempre os mesmos: as páginas de vez em quando levam 5–10 segundos para abrir, nos horários de pico aparecem erros 503 ou 508, e o painel administrativo do CMS fica mais lento que o próprio site. No cPanel e em outros painéis com CloudLinux há uma seção de estatísticas de recursos que mostra quantas vezes por dia a conta esbarrou no limite de CPU, memória ou processos. Se forem dezenas de ocorrências por dia, o problema não é o tráfego. Antes de tudo, ative o cache de páginas, desative os plugins sem uso e verifique se bots não estão sobrecarregando o site: em sites pequenos, robôs de busca e crawlers de terceiros muitas vezes geram mais requisições que os visitantes reais.
Como escolher um plano desta lista
- Procure na descrição do plano os limites de CPU, memória e processos. Se o provedor não os divulga, pergunte ao suporte antes de pagar.
- Veja o tipo de disco. Na seleção, cerca de 35% dos planos usam NVMe, e o restante, SSD; para sites com banco de dados grande, vale filtrar a hospedagem com NVMe.
- Avalie o tamanho do disco: a mediana aqui é de 20 GB, o que basta para quase qualquer site sem vídeo próprio.
- Escolha a localização do servidor mais perto do seu público. Para visitantes da Rússia, o lógico é a hospedagem na Rússia, com latência mínima.
- Confira quantos sites são permitidos. Muitos planos baratos aceitam exatamente um domínio.
Se o site esbarra sempre nos limites de processos e memória, e não no tráfego, o próximo passo é um VPS para sites, em que os recursos são reservados para você, e não divididos com os vizinhos.