Como escolher o país para uma hospedagem na Europa
A Europa é o segmento mais concorrido do mercado de hospedagem compartilhada: são cerca de 3.400 planos de mais de 750 provedores. O preço mínimo gira em torno de R$ 2 por mês, e a mediana fica perto de R$ 38. Os planos europeus são escolhidos para sites com público na União Europeia, para projetos que precisam de jurisdição europeia e como meio-termo de latência entre a Europa e o resto do mundo.
Os países mais comuns
A maior parte dos planos tem servidores na Alemanha; em segundo lugar vêm o Reino Unido e a Holanda, seguidos de França e Polônia. Também aparecem Finlândia, Suécia, República Tcheca, os países bálticos e outros. Cada local tem suas particularidades:
- Alemanha: os maiores data centers de Frankfurt, Nuremberg e Falkenstein, com o ponto de troca de tráfego DE-CIX ao lado. Boa escolha para um público espalhado pela Europa.
- Holanda: Amsterdã, com o AMS-IX, um dos maiores pontos de troca de tráfego do mundo, e excelente conectividade com a Europa e os EUA.
- Reino Unido: faz sentido para o público britânico. Depois da saída da UE, o país adota sua própria versão do GDPR, bem próxima da europeia.
- França: muitos data centers baratos de grandes provedores, prática para o público francófono e para o sul da Europa.
- Polônia, República Tcheca, países bálticos: mais perto do Leste Europeu e, muitas vezes, mais baratos que os países do oeste.
- Finlândia: boa para o norte da Europa e a região báltica, sem abrir mão da jurisdição europeia.
Muitos provedores listam vários países ao mesmo tempo, incluindo EUA e Singapura: isso significa que a empresa tem outros data centers. O país exato do servidor é escolhido no momento do pedido.
Latência e onde está o seu público
Dentro da Europa, a latência entre as grandes cidades costuma ficar em 10–30 ms, então, para um público europeu, o país do servidor dentro da região pesa pouco. Já do Brasil até Frankfurt ou Amsterdã a latência costuma passar de 150 ms, bem mais do que até um servidor no país ou nos EUA. Por isso, um servidor europeu faz sentido quando a maior parte dos visitantes está mesmo na Europa, por exemplo um site voltado para Portugal ou para a comunidade brasileira na Europa. Se o seu público inclui o Leste Europeu e a Rússia, compare também com a hospedagem na Rússia.
GDPR
O Regulamento Geral de Proteção de Dados da UE define como devem ser tratados os dados pessoais de residentes na União Europeia, independentemente de onde fica o servidor. Hospedar na Europa não torna o site automaticamente compatível com o GDPR, mas facilita: provedores europeus normalmente oferecem um acordo de tratamento de dados (DPA), e os dados não saem da UE. Se o seu site atende o público europeu, isso pesa a favor de um provedor com data center na UE. Para dados de brasileiros vale a LGPD, que permite a transferência internacional, inclusive para países com proteção adequada, desde que haja base legal e as salvaguardas previstas, e a UE costuma ser um destino tranquilo nesse sentido.
Pagamento a partir do Brasil
Os provedores europeus costumam aceitar cartões Visa e Mastercard e PayPal, então em geral um cartão internacional resolve. Fique atento a alguns pontos:
- no cartão de crédito, a cobrança em euro tem IOF e variação cambial até o fechamento da fatura;
- parte dos provedores também aceita criptomoedas; os planos estão reunidos na página hospedagem com pagamento em cripto;
- algumas empresas com data centers na Europa cobram em dólar, o que facilita comparar preços.
Lembre também que ao preço dos provedores europeus pode ser somado o IVA (VAT) do país de registro da empresa. Na tabela, os preços são convertidos para reais sem impostos, a não ser que o próprio provedor já os inclua.
Painéis e parâmetros dos planos
Cerca de 60 % dos planos europeus usam cPanel, seguido de Plesk e DirectAdmin; o ISPmanager é menos comum, geralmente em provedores do Leste Europeu. O disco mediano é de 20 GB, e 37 % dos planos têm NVMe, ou seja, mais do que a média do catálogo. Quase metade dos planos oferece tráfego ilimitado. Se você precisa especificamente de cPanel, é mais prático começar pela seleção hospedagem com cPanel e depois filtrar por região.
O país do servidor influencia nas buscas?
Um receio comum é que um site em servidor europeu fique pior posicionado nas buscas locais. O país da hospedagem, por si só, quase não interfere no ranking: o Google identifica a região do site pelo idioma, pelo domínio, pelos endereços e contatos nas páginas e pelas configurações no Search Console. A influência indireta vem da velocidade: se as páginas carregam devagar por causa de alta latência ou de um servidor sobrecarregado, isso afeta a experiência do usuário. Por isso, escolher um plano rápido importa mais do que o país exato dentro da Europa.
Como escolher o país
- Descubra onde mora a maioria dos visitantes, pelo Google Analytics ou outra ferramenta de análise.
- Se o público está em um único país da UE, escolha um servidor lá ou em um país vizinho com boa conectividade.
- Se o público está espalhado pela Europa, fique com Alemanha ou Holanda.
- Se boa parte dos visitantes está fora da Europa, compare a latência para diferentes data centers usando os IPs de teste dos provedores.